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Conheça o artista alemão JOSEPH BEUYS

postado em 16 de nov de 2009 10:17 por Lucien C.   [ 16 de nov de 2009 10:20 atualizado‎(s)‎ ]
8 de Setembro de 2008
Por: Fábio Woody

Em um rito, normalmente é possível perceber a busca por uma reconstrução social da realidade. A obra do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986) aponta para este mesmo objetivo, no sentido de romper com os limites da arte e alcançar uma reestruturação social.

Beuys fez parte do movimento “Fluxus”, que procurava explorar o efêmero, o transitório, e manifestar a energia vital coletiva.

Seu trabalho é marcado pela idéia de rito, mito e Xamanismo, e aproxima a performance artística da idéia de rito, como um momento de pausa que possibilita uma certa reelaboração do indivíduo. Uma pausa que rompe os limites do cotidiano, ampliando-os e enfatizando transformações subjetivas em si e no outro.

Mesclando arte e filosofia, Beuys ressaltava a quarta dimensão da escultura: “aquela na qual as atitudes ganham forma, e os comportamentos, conteúdos”.

A trajetória do artista pode ser melhor entendida a partir da obra Sled de 1969. Sled (trenó), feito de madeira e deslizadores de metal, com um cobertor de feltro dobrado, uma lanterna e um pedaço de gordura de vela modelado em forma de lâmpada. É um kit de sobrevivência.
resized_beuys_3_1A obra em questão explica o famoso incidente da vida dele: Na Segunda Guerra, Beuys, então com 22 anos, era piloto da Força aérea nazista, quando foi abatido pelos russos nas florestas da Criméia. Durante alguns dias Beuys ficou inconsciente. Foi salvo pelos nômades tártaros que o trataram com remédios feitos de ervas e esfregaram-lhe gordura de animal no corpo, e usaram o feltro para mantê-lo aquecido. Este acidente mudou a sua vida e o feltro e a gordura se tornaram materiais de grande parte de sua obra. Sled, uma peça estranha, é a metáfora da busca e sobrevivência dos tempos que ele passou no deserto russo.

Toda a obra de Beuys é regida pelo sentido político, social, ecológico e metafísico. A relação homem-natureza sempre teve lugar em sua obra – especialmente os animais.

Sua idéia de "unidade na multiplicidade" buscava retratar os quatro níveis do homem: corpo físico, corpo etéreo, corpo astral e o "Eu" - uma visão que ele importou dos grupos de antroposofia de Düsseldorf.
Para Beuys, as mudanças na estrutura social e política do mundo acontecem somente a partir da arte. E, segundo sua visão, a experiência pessoal é o único caminho capaz de nortear a criação. Afinal, “toda pessoa é um artista”.

Beuys criou uma obra semeada de obstáculos, realizada sob vaias, assobios do público e incompreensão da crítica. Recusou a beleza como meta em si e como meio, preferindo a busca por uma estética da autenciticidade e da verdade. E assim, tornou-se o maior expoente alemão das artes na segunda metade do século XX. Trazendo a arte para a vida.

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